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Link da página Web da Artificial Cavities Commission: http://www.artificialcavities.wordpress.com

 

Secretariado da Artificial Cavities Commission:

     President: Mario PARISE, Italy.

     Vice President: Joep ORBONS, Netherlands.

     Secretary: Carla GALEAZZI, Italy.

Membros ordinários:

     Pedro AGUIAR, Portugal.

     Roberto BIXIO, Italy.

     Guy DE BLOCK, Belgium.

     Martin DIXON, Great Britain.

     Hakan EGILMEZ, Turkey.

     Amos FRUMKIN, Israel/UK.

     Jean Francois GARNIER, France.

     Katerin YANOVSKAYA, Russia.

     Sophia KONDRATIEVA, Russia.

     James McCARTHY, Ireland.

     Luc STEVENS, Belgium.

     Jérôme TRIOLET, France.

     Laurent TRIOLET, France.

     Tzivika TSUK, Israel.

     Boaz ZISSU, Israel. 

Classification of Artificial Cavities

A FIRST CONTRIBUTION BY THE UIS COMMISSION

Mario Parise 1-2, Carla Galeazzi 1-3, Roberto Bixio 1-4, Martin Dixon 1-5

1 UIS Commission on Artificial Cavities

2 CNR, Istituto di Ricerca per la Protezione Idrogeologica, Bari, Italy; Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

3 Egeria Centro Ricerche Sotterranee, Rome, Italy

4 Centro Studi Sotterranei, Genova, Italy

5 Subterranea Britannica, United Kingdom

 

Este artigo representa a contribuição da Comissão para as Cavidades Artificiais da União Internacional de Espeleologia (UIS) com o objectivo de definir uma classificação geral de cavidades artificiais. A quantidade e variedade de cavidades criadas no subsolo pela acção do homem é extremamente elevada e cobre, repleta de peculiaridades várias, muitas diferentes áreas no mundo.

Ainda assim é importante tentar classificar tamanha variedade através de uma classificação que compreenda ao menos  as maiores categorias de entre as situações observadas. Tendo como ponto de partida o trabalho realizado no passado pela Sociedade Italiana de Espeleologia, é aqui apresentada uma classificação de cavidades artificiais baseada no tempo e na forma ou modalidade da sua realização e organizada por uma árvore que divisa tipologias e onde sete principais categorias são definidas, sendo cada uma destas por sua vez sub-dividida em sub-tipos. Esperamos que ao nos referirmos no futuro a esta classificação seja mais correcta a organização e caracterização dos trabalhos e pesquisas em cavidades artificiais, assim como seja possível a sua comparação com outras situações a acontecer em diferentes pontos do mundo. 

  1. Introdução

Em várias ocasiões tentativas foram feitas de desonvolver uma classificação de caviodades artificiais como uma base comum para descrever as cavidades subterrâneas desenvolvidas pela actividade do home ao longo do tempo e para partilhar o conhecimento relativo às mesmas e a imnesa quantidade de pesquisas realizadas que compreendem muitas diferentes áreas da ciência (desde a geologia, geomorfologia, à arqueologia, antropologia, história e por aí fora). No passado mais do que uma classificação foi proposta. Na maior parte dos casos a principal desvantagem dessas abordagens prendeu-se com a sua forte dependência com o país de proveniência do autor das mesmas (havendo lugar a uma maior atenção dedicada às cavidades mais típicas desse país).

Em muito raras ocasiões existiram classificações que resultaram de um trabalho conjunto de um grupo internacional de pessoas onde diversos países e realidades fossem efectivamente representados. No entanto, algumas tentativas foram feitas no sentido de criar equipas internacionais cujos resultados derivaram num léxico de termos que lidam com trabalhos ao nível do subsolo apresentados no Simposio Internacional de Pedreiras Subterrâneas em Nápoles (Capuano, eta all., 1991).

Em Itália um forte esforço foi feito durante as últimas décadas no sentido de reunir espeleólogos e pesquisadores interessados no tópico das cavidades artificiais ao criar uma Comissão dedicada a estas cavidades no contexto da Sociedade Italiana de Espeleologia (SSI). A comissão iniciou os seus trabalhos em 1981 focando-se na questão da criação de uma classificação preliminar destas cavidades e ao mesmo tempo criando um formulário para preenchimento de cada uma destas cavidades por forma a ser incluída num registo italiano gerido pela Comissão do SSI directamente (para mais detalhes ver www.ssi.speleo.it). Durante anos muitas reuniões e discussões se tiveram sobre este tema até que no final dos anos 90 uma classificaçãlo preliminar foi proposta.

Seguindo o último Congresso Internacional de Espeleologia que teve lugar em Kerrville  (Texas, USA) em 2009 e o re-início da actividade da nova Comissão da UIS sobre Cavidades Artificiais, o tema da produção de uma classificação geral de cavidades artificiais foi recuperado e posto de novo à discussão.  Com este objectivo um workshop específico foi organizado em Maio de 2011 e teve lugar em Turim (Itália) tendo os seus resultados sido apresentados numa edição especial do jornal Opera Ipogea publicado pela SSI (Parise, 2013). Por essa ocasião e a começar pela classificção italiana , alguns ajustamentos foram produzidos quer na organização da estrutura quer em melhoramentos de natureza linguística; e mais ainda na introdução de novas tipologias entretanto consideradas, e que foram trazidas para a presente classificação que será descrita em detalhe nas secções seguintes e que é ilustrada no diagrama da figura 1.

  1. Definição de Cavidade Artificial

Cavidades artificiais são definidas como resultantes de trabalhos subterrâneos de intresse histórico e antropológico realizados pelo homem ou por ele reajustados positivamente de acordo com as suas necessidades. Assim, as cavidades artificiais incluem quer os trabalhos feitos pelo homem (escavações, construções subterrâneas ou transformadas em estruturas subterrâneas em resultado de sobreposição estratigráfica) quer as grutas naturais quando estas foram ajustadas à necessidades humanas em partes significativas. Para dar alguns exemplos a este respeito considerem-se os abrigos nos Alpes durante a Primeira Guerra Mundial e as ermidas existentes em abrigos naturais podem ser mencionadas.

O tamanho, o desenvolvimento e a frequência das cavidades artificiais de determinado lugar estão directamente dependentes da consistência/dureza da rocha, e em consequência da sua relativa facilidade na sua escavação. As características das caviddaes presentes numa dada área urbana estão também muito relacionadas com as peculiaridades do lugar em si, bem como da sua evolução e transformações. Em muitos casos as cavidades artificiais vão atrás no tempo histórico até um ponto onde não mais existem evidências físicas à superfície.Assim, estas cavidades são frequentemente a única evidência restante da existência de organisações territoriais e de um estilo de vida para sempre desaparecido no actual desenvolvimento urbano que se deve a novas e diferentes necessidades criadas ao longo dos tempos.

As principais razões na origem  da criação de cavidades artificiais em diferentes épocas foram a necessidade de:

- obter água e/ou minerais;

- explorar as propriedades termais de diferentes lugares com vista à sobrevivência em condições meteorológicas adversas (Givoni & Katz, 1985);

- solucionar a falta de madeira para a construção ou para o aquecimento;

- enterrar os mortos;

- encontrar condições a um estilo de vida ascético e de isolamento;

- se defender contra ataques, perseguições e a guerra;

- encontrar esconderijo da justiça;

- explorar economicamente e facilidade de escavação de certos tipos de rocha comparados com outras técnicas de construção;

- tirar vantagem da forma de certas montanhas rochosas;

- obter áreas gratuitas para o desenvolvimento de actividades produtivas.

  1. Classificação de Cavidades Artificias

O principal critério na origem da presente classificação de cavidades artificiais teve de ser encontrado na necessidade de caracterizar cada cavidade feita pelo homem em termos da idade da realização, da técnica da consatrução e da utilização da cavidade em si. No que respeita ao primeiro critério acima (a idade da realização) tem de se notar que cavidades artificiais têm sido construídas ao longo de vários milhares de anos sem interrupções desde o passado mais remoto até aos dias presentes. Até mesmo a nossa molderna civilização continua a “colonizar” o subsolo com uma variedade de trabalhos que incluem, não estando limitados a: metropolitanos, parques de estacionamento, túneis como eixos viários, laboratórios científicos, trabalhos militares, minas etc. Para fornecer uma indicação acerca da idade seguindo o standar seguido em Itália, as estrururas subterrâneas podem ser distinguidas como se segue (a nomenclatura segue a usada no Registo Italiano de Cavidades Artificiais):

  1. Prehistoric;
  2. Protohistoric
  3. Pré- romano
  4. Reino romano/republicano
  5. Império romano
  6. Final da Antiguidade (decair do Império romano)
  7. Alta Idade Média (até cerca de 1000)
  8. Final Idade Média
  9. Renascença (aproximadamente 1400-1600)
  10. Idade Moderna (até à Revolução Francesa)
  11. Século XIX
  12. Século XX e posterior.

À parte da idade outros elementos tiveram de ser identificados. Estes incluem:

- a técnica de construção

- a função (ou propósito da construção)

- a forma e o desenvolvimento da estrutura subterrânea

- a correlação espacial com o enquadramento ambiental  envolvente

- a correlação temporal com os acontecimentos históricos a nível geral, regional ou local.

Figura 1: árvore tipológica para a classificação de cavidades artificiais

D: Trabalhos militares e de guerra

D1: Trabalhos de defesa

D2: galerias

D3: túneis de minas

D4: locais de fogo (disparo)

D5: Armazéns/Depósitos

D6: Abrigos para os soldados

D7: Abrigos para os civis

A: Trabalhos hidráulicos subterrâneos

A1: drenagem

A2: tomadas de água

A3: túneis

A4: cisternas

A5: poços

A6: distribuição

A7: esgotos

A8: condutas de água

A9: casas de neve

A10: função desconhecida

C: trabalhos religiosos

C1: locais de culto/adoração

C2: campas para os mortos

F: transito

F1: túneis para estradas

F2: túneis de transito

F3: túneis para comboios

F4: eixos

E: Minas

E1: pedreiras

E2: minas de metais

E3: outras minas

E4: perfurações

E5: cultivos

B: Habitações civis do Hipogeo

B1: habitações permanentes

B2: abrigos temporários

B3: fábricas

B4: armazéns

B5: silos

B6: estábulos

B7: casas de pombos

B8: colmeias

B9: outros

G: Outros trabalhos

 

3. Outras categorias

Tendo em conta a técnica de construção, várias situações podem ser consideradas:

- cavidades escavadas no subsolo

- cavidades construídas no subsolo

- cavidades obtidas por via de recuperação

- cavidades artificias anómalas

- cavidades artificiais mistas

- cavidades naturais modificadas pelo homem

cavidades escavadas no subsolo

Estas são estruturas subterrâneas no sentido estrito: salas obtidas pela remoção de material rochoso (pedras) por baixo do nível da superfície ou dentro de montanhas rochosas ou escavadas na proximidade da superfície de penhascos, canyons, ravinas (por exemplo: estruturas trogloditas).

cavidades construídas no subsolo

escavações em trincheiras são compreendidas como escavações ao ar livre seguidas pelo revestimento das paredes e construção da caixa (cofre). Escavação em galeria é compreendida pela total remoção da rocha no subsolo. As paredes são então revestidas ou cobertas com diferentes técnicas de alvenaria.

Cavidades recuperadas

A actividade humana em áreas urbanas frequentemente produz a cobertura natural ou artificial de estruturas originalmente localizadas à superfície.

Cavidades artificiais anómalas

Estas estruturas são construídas à superfície mas com características semelhantes às construídas no subsolo (por exemplo: alguns bunkers militares).

Cavidades artificiais mistas

Estas são o resultado de escavações para alcançar, prolongar ou alterar cavidades/grutas naturais.

Cavidades com intervenções antropogénicas

São grutas naturais que passaram por intervenções humanas limitadas. Elas representam a fronteira entre grutas ou cavidades naturais e aquelas de origem artificial (antropogénicas). Em geral são de uma extensão também limitada.

  1. Tipos

De acordo com a função para a qual uma cavidade artificial foi ou ainda é utilizada, pode ser classificada como sendo de um tipo específico. A variedade de estruturas artificias no subsolo é enorme. Consequentemente a sua organização é classificada de acordo com uma árvore baseada  nas sete principais tipologias, que por sua vez são divididas em sub-tipos (figura 1). A sua leitura éfacilitada pelo uso de códigos alfanuméricos. Frequentemente diferentes utilizações de uma cavidade se sobrepõem no tempo, deste modo, um único local ou cavidade pode ter múltiplas classificações representando diferentes momentos da sua existência.

  1. 1.Tipo A : Trabalhos hidráulicos subterrâneos

A.1 Controlo do nível da água, caminhos de drenagem

Túneis escavados para a reclamação de pântanos e para estabilização do nível dos lagos  (emissários) e reservatórios (Judson & Kahani, 1963; Castellani e Dragoni, 1991, 1997; Caloi e Castellani, 1991; Galleazi et all., 2012). 

A.2 Estruturas subterrâneas de intersecção da corrente

Túneis e galerias desenhadas para capturar veios subterrâneos de água ou águas gotejantes (Sadaf Yazdi & Labbaf Khaneihi, 2010). O trabalho de intercepção pode consistir em apenas uma simples conduta ou canal cortado na rocha ou de um complexo sistema integrado envolvendo trabalhos de construção.

A.3 Canais de água subterrâneos: aquedutos

Galerias e túneis para conduzir as águas das intercepções das correntes ou de outros corpos de água para os utilizadores (Ashby, 1935; Hodge, 1992; Bodon et al., 1994; Parise et al., 2009). Desvios em galerias ou cursos de água podem permitir a construção de pontes; as chamadas Ponti Terra ou Ponti Sodi (técnicas etruscas).

A.4 Cisternas, reservatórios de água

Espaçõs subterrâneos para o aramazenamento de água, usualmente completados com coberturas à prova de água nas paredes.

A.5 Poços

Eixos verticais construídos para alcançar os lençóis freáticos e transportar a água para a superfície. Aqueles localizados no interior de outras estruturas subterrâneas são considerados como parte integral dessas mesmas estruturas.

A.6 Trabalhos de distribuição hidráulica

Tanques ou outras divisões subterrâneas nas quais um ou mais canais convergem e dos quais outros canais saem para distribuir a água para os utilizadores (castellum aquae)

A.7 Esgotos

Túneis ou galerias para a descarga das águas negras ou cinzentas produzidas pelos resíduos humanos e instalações industriais.

A.8 Canais para a passagem de barcos ou navios

Canais construídos para a passagem de navios ou barcos (fig 3). Estes são encontrados principalmente na Europa Central e Reino Unido.

A.9. Poços de gelo, casas de neve

Depósitos e/ou produção de gelo no subsolo. Cavidades quer naturais quer artificiais foram usadas para a conservação de gelo e sua utilização durante a época seca.

A.10. Túneis ou canais cuja função é desconhecida

Este sub-tipo inclui todos os lugares com vestígios de canais que estão identificados com trabalhos relacionados com a água, mas cuja função específica não é conhecida com certeza.

  1. 4.2.Tipo B: Habitações civis do Hipogeo

B.1. Habitaçoes permanentes

Este sub-tipo compreende quaisquer tipos de alojamento de longo termo, habitações em cave  e casas subterrâneas.(i.e. Bixio, 2012). A maior parte das cavidades deste tipo foram já abandonadas. Contudo, a histórica Sassi de Matera (no Sul da Itália) estão a ser recuperadas graças ao recente e extenso programa de obras de renovação. Na China, edifícios públicos e casas privadas estão ainda a ser escavadas nas rochas, e são habitadas por cerca de 30 milhões de pessoas. Na antiguidade, algusn destes lugares alcançaram o tamanho e a organização de verdadeiras urbes do hipogeo, frequentemente complementadas por trabalhos em tijolo (Golany, 1988).

B.2. Abrigos Temporários

Alojamentos sazonais, abrigos para pastores, locais de esconderijo de bandidos, locais de detenção temporária.

B.3 Fábricas, complexos subterrâneos

Cavidades de fabricantes de cordas, lagares de azeite, fábricas, antigos locais de trabalho (fura 4). Fábricas militares estão classificadas no sub-tipo D.1.

B.4 Armazéns, depósitos, adegas

Armazenamento de equipamento agrícola, caves de vinho, armazenamento de vegetais e frutas. Se de natureza militar estão organizados no sub-tipo D.5.

B.5 Silos subterrâneos

Cavidades acedidas pelo público em geral pelo seu topo, esculpidas na rocha e cuidadosamente para garantir a preservação da comida, face a animais e à humidade. Apresentam por vezes um formato em sino.

B.6 Estábulos para quaisquer animais

Abrigos para animais de qualquer tamanho: cavalos, galinhas, outros pássaros (excepto os pombos, ver B.7 e as abelhas, ver B.8).

B.7 Casas de pombos

Pombal ou casas de pombos são sinónimos para designar estrutura rochosa utilizada para o alojamento de pombos ou pombas, ou pássaros de características semelhantes (figura 5).

B.8 Colmeias

Este sub-tipo foi recentemente incluído seguindo as propostas de Bixio & De Pascali (2013). Colmeias em rocha são muito comuns em países do Baixo Mediterrâneo.

B.9 Outro tipo de alojamentos civis

É difícil estabelecer uma lista completa de todos os tipos de alojamentos ou habitações. Outros trabalhos e portanto cavidades menos usuais e não compreendidas nos sub-tipos existentes, poderão ser incluídas neste sub-tipo.

  1. 3.Tipo c: Estruturas religiosas, locais de veneração

C.1 Nymphaeum, Mithraea, templos, santuários, poços sagrados, mosteiros, igrejas e capelas, etc.

Esta categoria inclui as principais estruturas construídas com fins religiosos (Rodley, 2010; figura 6). Caso contenham muitos sepultamentos, estarão classificadas em B.2. Do mesmo modo, se numa catacumba existem claros vestígios da existência de um altar este lugar será classificado em C.1.

C.2 Locais de enterro

Criptas , tumbas, sistemas funerários complexos como columbários, catacumbas e necropoles-

4.4 Tipo D: Militares e trabalhos de guerra

D1. Trabalhos defensivos

Fortificações subterrâneas e trabalhos relacionados.

D.2 Galerias e passagens de conexão

Estruturas militares para o trânsito de soldados e armas; túneis com propósitos militares, datados de diferentes épocas e dispersos por muitos países à escala mundial (Triolet & Triolet, 2011).

D.3 Minas e túneis de contra-minas

Túneis militares e trincheiras criados com um fim específico.

Galerias de minas: túneis escavados por atacantes para alcançar e minar as fundações das paredes e defesas dos atacados, ou escavadas pelos atacados para alcançar e minar a artilharia dos inimigos (figura 7)

Galerias de contra-minas: túneis escavados pelos defensores (os atacados) para interceptar túneis minados e prevenir os ataques.

D.4 Estações de fogo

Espingardas, metrelhadoras, canhões e outras armas de períodos anteriores como bestas. Na Primeira e Segunda Guerras Mundiais muitas estruturas defensivas foram construídas debaixo de terra: algumas destas eram muito grandes (como a linha de Magilot, a Siegfried, a Metaxas, etc) enquanto outras eram lugares isolados onde pistolas e outras armas estavam localizadas.

D.5 Depósitos:

Armazenamento subterrâneo de munições militares, comida e outras mercadorias. Nem sempre é fácil determinar  a intenção do uso de algumas destas instalações.

D.6 Cómodos para abrigo de soldados

Abrigos de bobasdeamentos, dormitórios, postos de comando militares

D.7 Abrigos de guerra para civis

Locais subterrâneos onde a população civil procurava refúgio durante raides , ataques à mão armada, invasões e (partucularmente) bombardeamentos aéreos. Estes podem consistir numa única divisão ou estenderem-se por centenas de metros.

4.5 Tipo E: Trabalhos em minas

Estas estruturas podem alcançar profundidades e desenvolvimentos enormes (Craddockm 1980).

E.1. Pedreiras agregadas

Pedreiras de arenito, pozolana, blocos de calcário, pedra para construção ou ornamentação.As estruturas deste tipo que já não estão activas frequentemente têm sido ou estão a ser ainda utilizadas para outros fins: cultivo, desporto, turismo, refúgio, fins científicos, etc.

E.2 Minas de metais

Minas de cobre, ferro, bronze, chumbo, ouro, etc.

E.3 Minas e pedreiras de outros materias (não metálicos)

Pedreiras subterrâneas de sílex, alúmen, enxofre, carvão, areia para vidro, ocre, sal, etc.

E.4 Inspecções mineiras não específicas

Escavações com traços de actividades que almejavam a identificação de depósitos minerais. Estes constituem tipicamente túneis exploratórios de limitadas  dimensões.

E.5 Espaços subterrâneos para o cultivo de vegetais

Nestes espaços certas plantas eram cultivadas, tipicamente cogumelos e vegetais.

4.6 Tipo F: Trabalhos de trânsito subterrâneo

F.1 Túneis para veículos, pessoas ou cavalos

Galerias constituídas no mínimo de 2 metros de largura utilizadas no passado para o trânsito de carruagens, vagões e cavalos.

F.2 Trabalhos para trânsito/circulação (não militares)

A função destas é a mesma que em F.1 mas as dimensões são tais a não permitir o trânsito de vagões ou animais de grande porte. Apenas para uso pedestre: túneis relacionados com as villas, castelos, mosteiros, túneis para fuga e por aí fora. Estes seguramente não incluem trabalhos militares.

F.3  Túneis para comboios, vagonetes ou funiculares (fora de uso)

Embora relativamente recentes, muitos já estão fora de uso. Estes incluem túneis de minas destinados unicamente ao transporte ou reboque e não à actividade mineira.

F.4 Poços não hidráulicos, eixos, etc.

Estes poços foram criados com vista ao acesso, inspecção e manutenção de cavidades artificiais (figura 8). Hoje já em desuso por motivos de obstrução ou outras razões.

4.7 Tipo G: Outros Trabalhos

Esta final e genérica categoria tem o propósito de incluir todos aqueles trabalhos subterrâneos que não se possam atribuir directamente a nenhum dos tipos anteriormente mencionados. Por exemplo, os poços que não são parte de nenhuma outra estrutura subterrânea, e com função desconhecida (poços de ventilação,poços de luz, cavidades para espaços técnicos, passagens, poços para alinhamento) encontram neste tipo o seu lugar.

5. Conclusões

A classificação aqui apresentada deriva do que foi definido pela Comissão Italiana e pelo trabalho adicionalmente desenvolvido pela UIS . Não é uma classificação exaustiva mas pode representar um ponto de partida para futuros trabalhos por outros estudiosos interessados no tema das cavidades artificiais.

Esperamos que venha a ser largamente utilizado, pois pretende essencialmente facilitar as discussões entre pesquisadores e estimular outros espeleólogos e cientistas para este tema, no qual poderão ter interesse.

Agradecimentos

Estamos em profunda dívida para com muitas pessoas que há vários anos têm vindo a trabalhar e a discutir connosco acerca da necessidade de classificar e caracterizar as cavidades artificiais: entre elas gostaríamos de aqui mencionar Vittoria Caloi, Giulio Cappa, Vittorio Castellani, Carlo Germani , Joep Orbons, Jerome and Laurent Triolet.

Traduzido da versão original por Célia Caciones (GEM). A declaração original pode ser vista e descarregada aqui.

 

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